Setor de gemas defende nova regulação e valorização do garimpeiro

Especialistas destacam na Expominério 2025 que a mineração de gemas é artesanal, de baixo impacto ambiental e estratégica para a cadeia joalheira

A mineração de gemas, frequentemente associada a luxo ou a práticas informais, ganhou espaço de destaque na Expominério 2025 nesta quarta-feira (26.11). Em um painel voltado exclusivamente ao tema, representantes do setor defenderam a necessidade de modernizar a legislação, ampliar a formalização de garimpos e reposicionar as gemas como atividade econômica estratégica, sustentável e capaz de gerar dignidade para milhares de trabalhadores.

O presidente da Câmara de Gemas do Sindicato de Joalheiros de Minas Gerais, Joel Saturnino, abriu a discussão destacando que a cadeia produtiva das gemas ainda enfrenta obstáculos históricos, muitos deles ligados ao desconhecimento sobre o setor e a preconceitos antigos que relegam o garimpeiro a um personagem secundário. Segundo ele, esse cenário precisa mudar, e a regularização por meio do cooperativismo tem mostrado resultados concretos.

“Nosso foco hoje é discutir a extração de gemas de forma legal, com responsabilidade e competitividade, para que o produto chegue ao mercado com rastreabilidade e menos obstáculos. Vamos trazer resultados práticos de experiências já consolidadas com a formalização via cooperativas, que têm assegurado dignidade ao garimpeiro e transparência à cadeia”, afirmou.

Joel reforçou ainda que o setor movimenta milhões e precisa ser encarado como estratégico, não apenas como nicho de luxo. “É preciso que a sociedade se aprofunde no tema e supere estigmas seculares. A joalheria é uma atividade econômica robusta, que depende de um garimpeiro que não é coitadinho: é um ativo fundamental dessa cadeia.”

Ele também elogiou o espaço aberto pela Expominério para debates maduros e públicos sobre o tema. “Eventos como este deveriam acontecer dez vezes por ano. A feira dá voz a quem vive o setor na prática e mostra que, aqui no Mato Grosso, a combinação entre gema e ouro sempre foi natural.”

A visão foi compartilhada pelo presidente do Sindijóias e Ajomig, que representa indústrias de joalheria, ourivesaria e gemas em Minas Gerais, Murilo Graciano. Ele explicou que a mineração de gemas possui características próprias e não pode ser comparada a outras atividades minerais envolvidas em tragédias como Brumadinho ou Mariana, que ainda alimentam preconceitos.

“É difícil falar de mineração hoje porque grandes desastres acabaram contaminando a imagem do setor. Mas a extração de gemas é quase 100% artesanal, de baixíssimo impacto ambiental e de recuperação simples. É completamente diferente das grandes operações”, ressaltou.

Murilo defendeu ajustes na legislação, que hoje não acompanha a realidade de uma atividade marcada por pequenas frentes de lavra, empresas familiares e produção manual. “Precisamos de uma legislação mais apropriada ao tamanho da mineração de gemas. Por isso, esse painel é essencial: traz conhecimento, aproxima o público, quebra mitos e ajuda o poder público a legislar de forma mais assertiva.”

O painel também contou com a presença de Écio Morais, diretor executivo do IBGM, e de Cristiano Siqueira, mestre em Engenharia de Materiais, aprofundando o debate técnico sobre sustentabilidade, competitividade internacional e rastreabilidade na cadeia de gemas.

BS COMUNICAÇÃO/ASSESSORIA DE IMPRESA EXPOMINÉRIO

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