Painel da Expominério 2025 apresenta tecnologias para recuperar ouro fino, identificar coprodutos e transformar resíduos em fontes estratégicas para a indústria e o agronegócio
A discussão sobre o aproveitamento de rejeitos da mineração de ouro ganhou destaque nesta sexta-feira (28.11), no último dia da Expominério 2025. No painel dedicado à produção de minerais críticos e estratégicos a partir desses resíduos, pesquisadores mostraram que materiais antes descartados podem se tornar fontes valiosas para a indústria, para a transição energética e para o agronegócio brasileiro.
A doutora em Engenharia Metalúrgica e de Minas, Elenice Schons, explicou que parte significativa do ouro fino ainda é perdida devido a processos de concentração pouco eficientes. Segundo ela, a recuperação desse metal é apenas uma das possibilidades. Os rejeitos também podem abrigar elementos considerados essenciais para a soberania econômica e tecnológica dos países.
“Existe um potencial enorme para recuperar não só ouro, mas coprodutos estratégicos. Falo de minerais hoje críticos para o mundo, que entram na balança comercial, na segurança alimentar, na defesa e, principalmente, em equipamentos de alta tecnologia”, afirmou. Elenice destacou que o Brasil lidera a produção mundial de nióbio e possui relevância em minério de ferro, mas ainda apresenta forte dependência de fosfatos e fertilizantes. “Sem esses minerais, não há agricultura. E boa parte está literalmente debaixo dos nossos pés.”
A pesquisadora também apresentou uma visão global sobre minerais críticos, categoria que inclui elementos essenciais para a transição energética, como terras raras, e matérias-primas para equipamentos eletrônicos, painéis solares e baterias.
Na sequência, o engenheiro de minas e professor da Universidade Federal de Catalão, André Carlos Silva, aprofundou a discussão apresentando uma metodologia para agregar valor aos rejeitos. Ele trouxe três estudos de caso sobre fosfato, titânio e nióbio, explicando como resíduos podem ser transformados em insumos de alto valor.
“Rejeito, a princípio, é algo sem valor. Mas quando caracterizamos esse material e entendemos sua composição química e mineralógica, podemos identificar minerais de interesse e aplicar rotas de separação física, físico-química ou química. É possível recuperar elementos estratégicos com impacto ambiental muito menor do que abrir uma nova mina”, explicou.
Silva ressaltou que esse processo pode resultar em agrominerais, remineralizadores de solo, fertilizantes naturais e metais essenciais para a indústria. “O Brasil importa mais de 92% do potássio que consome e ainda precisa importar metade do fósforo. Se conseguirmos aproveitar rejeitos, parte dessa dependência pode ser reduzida.”
O pesquisador apresentou ao público amostras de potássio natural provenientes de Minas Gerais, mostrando como esses materiais, apesar de pouco valorizados, são alternativas reais para suprir demandas agrícolas.
EXPOMINÉRIO – A Expominério 2025 é uma realização da DPH e IEL, além de contar com o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec), como patrocinador oficial. O evento também tem o apoio institucional e patrocínio de grandes nomes do setor, como Fecomin, Fomentas Mining Company (Ródio), Nexa Resources, Keystone e Brazdrill (Diamante), Aura Apoena, Salinas Gold Mineração e Rio Cabaçal Mineração (Ouro), além de GoldPlat Brasil e Ero Brasil (Prata).
BS COMUNICAÇÃO/ASSESSORIA DE IMPRESA EXPOMINÉRIO

