Desafios e tendências da mineração pautam debate técnico na Expominério 2025

Painel reúne especialistas para discutir competitividade, atração de investimentos, padrões internacionais e experiências globais como a do Quebec, no Canadá

O painel “Desafios e Tendências da Mineração”, realizado nesta quarta-feira (26.11) na Expominério 2025, reuniu especialistas do Brasil e do exterior para discutir os caminhos que podem determinar o futuro do setor, especialmente em um cenário de alta demanda por minerais críticos, pressão por transparência e necessidade de competitividade internacional. A mesa contou com a participação de Glaucia Cuchierato, diretora-executiva da Geoansata, Rafael Brant, cofundador do Jazida, Roberto Xavier, diretor executivo da ADIMB, e do assessor econômico da representação do Governo de Quebec, no Canadá, João Mariano Colet.

Abrindo o debate, Glaucia destacou que o painel buscou conectar três eixos centrais: a visão global sobre tendências da mineração, a titularidade mineral no Brasil, com foco especial no Centro-Oeste, e a necessidade de qualificação de dados geológicos para atrair capital e reduzir riscos.

“O nosso objetivo foi mostrar como o Brasil pode se tornar mais atrativo para investimentos nacionais e internacionais. Sem informação geológica de qualidade, tudo o que se faz agrega risco aos projetos”, afirmou.

Ela explicou que grande parte das permissões de lavra garimpeira, especialmente no entorno da Baixada Cuiabana, ainda opera sem previsibilidade e sem pesquisa mineral adequada, o que afasta investidores e impede que pequenos produtores avancem em industrialização.

“Quando o minerador pesquisa, conhece o corpo de minério e mostra transparência, o investidor se interessa. Mas sem dados, sem padrão e sem rastreabilidade, perde-se competitividade. Precisamos educar o mercado e a sociedade sobre a importância disso”, defendeu.

Para Glaucia, o Brasil só aproveitará a “onda dos minerais críticos” se estiver preparado. “Um projeto mineral leva em média 20 anos entre a descoberta e a produção. Ou nos organizamos agora, ou vamos perder a próxima janela de oportunidade.”

O assessor para assuntos econômicos do Governo de Quebec, João Mariano Colet, trouxe ao debate a experiência da província canadense, líder nacional em produção mineral e referência global em governança e industrialização. Segundo ele, o Quebec enfrenta desafios semelhantes aos brasileiros, como agregar valor ao minério, inserir-se nas cadeias globais e atrair mão de obra para regiões remotas, temas que podem inspirar o Brasil.

“Um quinto de toda a produção mineral do Canadá vem do Quebec. Somos grandes produtores de nióbio e ferro e vivemos realidades parecidas com as áreas remotas brasileiras. O objetivo não é ensinar, mas trocar experiências e tecnologias que deram certo”, explicou.

Colet destacou ainda que o diálogo com populações tradicionais e o compromisso ambiental têm guiado a evolução do setor canadense. E reforçou que a Expominério tem proporcionado um ambiente raro de troca entre regiões que pouco dialogam.

“Às vezes, quem vive no Sudeste não percebe a força mineral do Mato Grosso. Chegar aqui e ver uma feira tão organizada, com tanta tecnologia e debates profundos, mostra a relevância do estado. É uma edição jovem, mas com profissionalismo de um evento de 50 anos”, observou.

O painel também contou com participações de Rafael Brant, que detalhou questões de titularidade mineral e gargalos regulatórios que afetam estados do Centro-Oeste, e de Roberto Xavier, que apresentou tendências globais, riscos e oportunidades no setor.

BS COMUNICAÇÃO/ASSESSORIA DE IMPRESA EXPOMINÉRIO

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