Evento debate presença feminina no setor e mostra avanço de mulheres em funções técnicas, operacionais e de liderança
A pauta da diversidade, historicamente distante do setor mineral, foi ao centro das discussões da Expominério 2025 nesta quarta-feira (26.11). No painel “Diversidade e Inclusão na Mineração”, representantes de empresas, governo e entidades de classe mostraram como a participação feminina cresce, rompe barreiras e pressiona por transformações estruturais em um dos segmentos mais tradicionalmente masculinos da economia.
A gerente-geral de Recursos Humanos da Nexa Resources, Lívia Desenso Monteiro, destacou que o debate já não é periférico na mineração e que o amadurecimento do setor impulsiona mudanças profundas. Ela lembrou que empresas vêm revendo práticas internas, ampliando políticas de inclusão e criando condições reais para que mulheres ocupem funções técnicas e estratégicas.
“O setor veio de um passado mais reativo, mas a sociedade muda, e as empresas são reflexo disso. A mineração sempre foi muito masculina, mas hoje existem grandes oportunidades para as mulheres e queremos mostrar isso com representatividade e diálogo”, afirmou.
Lívia citou a unidade da Nexa em Aripuanã, em Mato Grosso, como exemplo prático dessa evolução. O site operacional possui o maior percentual feminino entre as unidades da companhia no Brasil e no Peru.
“Hoje são 22% de mulheres, muitas delas operando máquinas que tradicionalmente eram ocupadas por homens. Queremos mostrar que isso é possível e inspirar outras trabalhadoras”, disse. Para ela, a Expominério desempenha papel crucial ao abrir espaço permanente para o tema. “A feira é grandiosa, reúne governo, empresas, especialistas. Trazer a discussão para esse ambiente mostra que há espaço e demanda por mais diversidade no setor.”
A deputada estadual, analista ambiental da Sema e presidente da Associação de Geólogos de Mato Grosso, Sheila Klener, reforçou que a presença feminina na mineração não é apenas simbólica: é resultado de décadas de esforço e qualificação. Ela relatou que iniciou a carreira como única mulher entre mais de 40 homens e testemunhou a transformação do setor ao longo dos últimos 20 anos.
“Hoje vejo geólogas na área ambiental, na mina, em campo. As mulheres estão despontando em cargos de liderança, o que mostra uma evolução real”, afirmou.
Sheila defendeu que os avanços precisam ser acompanhados de políticas públicas e de maior segurança institucional para mulheres que desejam assumir posições de comando.
“A qualificação é importante, mas é fundamental que a mulher confie nela. Muitas não querem assumir liderança porque não acreditam que podem. Se eu puder inspirá-las, digo: confiem. A equidade não é apenas número, é sentir as dores, pensar políticas públicas e abrir caminhos”, disse. Ela recordou ainda ser pioneira em diversas instituições nacionais da geologia e destacou que o setor precisa acelerar e não aguardar 130 anos para alcançar equilíbrio de gênero, como apontam projeções baseadas na política nacional.
Além das painelistas, também participaram do debate a presidente da Câmara da Mulher da Fiemt, Ana Cassia Petroni Rangel, e a superintendente da Fiemt e do IEL-MT, Fernanda Campos, que moderou a mesa.
BS COMUNICAÇÃO/ASSESSORIA DE IMPRESA EXPOMINÉRIO

